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quarta-feira, 18 de junho de 2008

But if you try sometimes you might find... what you need

Os dias correm completamente preenchidos.
Muda-se com a a convicção de que tudo ficará diferente, mas na verdade tudo fica surpreendente melhor. Gosta-se mais de viver e vive-se mais, aproveita-se todo o tempo, faz-se mais, faz-se muito mais. O cansaço é, nestes caso, não uma consequência, mas uma recompensa. É um cansaço que sabe a vida.
Conhece-se novas pessoas com quem apetece estar em momentos diferentes, a fazer coisas diferentes, sendo necessário, muitas vezes fazer opções. Escolher com quem estar, quando e o que se vai fazer. Sabe bem. Pena que o tempo não chegue nem sobre. Podia-se fazer mais.
O trabalho corre bem, apesar de alguns contra-tempos. Faz parte. As pessoas percebem o que fazemos, o que queremos e como queremos. Há sempre alguém que insiste em ser parte do problema.
Apetece agarrar o mundo na mão, ora para o fazer andar mais depressa, ora para o fazer parar.
Pela inevitável insatisfação ou por pura estupidez, sabemos que, apesar de tudo, falta sempre qualquer coisa.
Só por esta vez vou dizer que não falta... por teimosia!


sábado, 26 de janeiro de 2008

Segundo de três

Em resultado da minha vida profissional, das minhas relações pessoais ou de circunstâncias várias, tenho vindo a conhecer pessoas – homens e mulheres, embora o texto se vá concentrar nas mulheres – que me parecem pessoas muito interessantes, mas quase todas com uma vida que não é exactamente “quase perfeita”.
Ora essas pessoas com que me cruzo teriam tudo para ter uma vida “quase perfeita”, não fosse o caso de uma boa parte delas viverem ainda do passado. Não, não são retrógradas, longe disso, mas agarram-se a um passado que teimam em não largar, mesmo que muitas vezes, o passado também não as largue.
São, no meu ponto de vista, extremamente interessantes, adultas, modernas, cultas, com interesses vários e com vidas profissionais mais ou menos bem sucedidas, que lhes permite serem independentes.
Refiro-me, claro, a pessoas que estão, de momento, solteiras ou em vias de o serem. Pessoas que tiveram vários relacionamentos, pessoas que já foram casadas, pessoas que têm filhos, pessoas que ninguém lhes conhece relacionamentos recentes.
A ver pela amostragem (e por o que outras pessoas me vão dizendo), existe uma fatia cada vez maior de “encalhados no passado”, que de alguma forma, perdem mais tempo a olhar para esse passado do que para o presente e, por isso, não constroem o futuro, ou, pelo menos, constroem-no em função de uma esperança de que o passado volte ou, mais grave ainda, na ausência de qualquer esperança.
São pessoas feridas pelos seus passados, as quais não conseguem fazer sarar as feridas, não por serem profundas, porque nem sempre o são, mas porque frequentemente essas pessoas ou até o seu próprio passado colocam lá o dedo, apesar de isso fazer doer, de infectar, de nunca curar.
Essas pessoas (neste caso refiro-me exclusivamente às mulheres) tiveram na vida delas um Mike qualquer que as amou, que as convenceu a amarem, que as fez feliz, que foi feliz com elas, que criou expectativas numa vida a dois, mas que depois, um dia, sem que elas percebessem porquê, ou até percebendo porquê, fez cair por terra o futuro, aquele futuro que estava ali, à vista.
A quem por aqui passa há pouco tempo, devo dizer que sim, sou um desses tipos que fez alguém sofrer, que quebrou a esperança, que desfez o sonho – talvez hoje seja visto como um pesadelo, como algo que afinal até foi bem melhor assim, não sei… - que deitou fora uma parte do passado, que foi cruel numa decisão inesperada e intransigente.
Ser feliz é muito mais do que cumprir sonhos do passado. Ser feliz é criar o futuro, não em função dos sonhos mas das realidades, das expectativas atingidas e das frustradas. É procurar sempre alternativa.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

No que depender de nós

É assim que somos.
Aproveitamos toda e qualquer desculpa como certeza de que amanhã se não estivermos iguais estaremos pior nos nossos mundos, nas nossas vidas. É assim, porque é mais fácil.
Somos capazes de mais, de bem melhor, mas agarramo-nos ao passado, ao presente, mas nunca ao futuro, agarramo-nos às desculpas fáceis para justificar as nossas fragilidades. Agarramo-nos ao que não temos, ao que nunca tivemos, e desejamos o que gostariamos de ter, de fazer ou de ser, mas não damos um único passo nesse sentido.
Gostamos de ser seres comodistas, apenas capazes de nos movermos numa banda de conforto, que criamos ou nos criaram, e tudo o que seja saltar fora dessa banda é arriscar no incerto. Preferimos não o fazer.
Temos a capacidade dentro de nós, mas não a libertamos, não nos servimos dela, não evoluimos.
Enquanto houver quem nos alimente os medos, ficaremos por aí, onde sempre estivemos.
Somos críticos em relação aos outros e benevolentemente compreensivos connosco próprios. Entendemos as desculpas dos outros como desculpas, e as nossas como válidas certezas de que tem mesmo de ser assim porque.

Não somos nada disto. Somos melhores. Enchemo-nos de esperanças e expectativas. Programamos o futuro, passo a passo, estabelecemos metas e procuramos atingi-las. Procuramos o contacto certo, no momento certo. Procuramos as pessoas e esperamos que nos procurem a nós, que nos considerem válidos e úteis. Gostamos que contem connosco.
Somos felizes com o que temos porque limitamo-nos a não pedir demais. Somos felizes porque nos damos por satisfeitos com o que a vida nos vai dando. E temos sorte. Vivemos bem porque temos sorte.

Somos ainda melhores. Puxamos pelos outros e arriscamos, corremos atrás. Não nos agarramos àquilo que temos, somos insatisfeitos e procuramos ter ainda mais. Não procuramos o sucesso pelo sucesso, como recompensa. Procuramos o sucesso pela satisfação de vermos atingidos os nossos intentos. Não procuramos ser felizes porque já o somos, não com o que temos mas com o que fazemos, com as metas que alcançamos, com os desafios que nos colocamos. Consideramos que a nossa vida está repleta de tudo o que entendemos ser o que antes procuravamos. Somos insatisfeitos. Olhamos em frente e partimos para o estágio seguinte. Não nos deixamos acomodar com o que temos. Olhamos para trás mas não ficamos lá. Vamos aprendendo com o que deixamos para trás e utilizamos essa aprendizagem para alcançar o que está para vir.

Qual deles somos nós?