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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Quem somos nós?

Leio este texto.
Logo me surgiram algumas questões que, através do pensamento, fui debitando para mim e que aqui partilho. Pensamentos como «das páginas da nossa própria história que queremos esquecer, não haverá sempre algo bom e importante para recordar? Dos momentos maus não conseguiremos destacar nada de bom? Daquilo que deixamos para trás, não haverá nada que queiramos encontrar mais á frente?»
Depois continuei a ler o texto e percebi que, ao contrário da teoria que sempre defendi, afinal há momentos que nos fazem esquecer (ou querer esquecer) algo que algum dia tivemos.
Percebi também que a minha teoria baseia-se apenas em experiências vividas como ser masculino. Certas situações apenas numa hipótese muito, mas mesmo muito remota me poderiam acontecer. Outras, nem sequer me passa pela cabeça que possam acontecer. Seremos nós, homens, seres mais capazes de fazer alguém sofrer, de destruir, do que de criar algo, do que de construir? Seremos seres inimigos do afecto? Seremos mais imunes ao sofrimento e, por isso, menos sensíveis à preocupação de não fazer sofrer alguém?
Não. Não pode ser assim. Ou então, quem somos nós? O que nos fazia ser importantes para alguém desvaneceu-se, ou nunca existiu? Se existiu, se apenas desapareceu, então está cá e somos melhores e nós já não estamos a dar. Então éramos melhores do que nos tornamos. Ou, nalgum momento, a mulher que estava connosco nos terá valorizado ao ponto de nos elevar o ego a um nível que nos fez perder o valor de lutarmos por ela e de a respeitarmos como até aí acontecia?
Alguém sabe?

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Lembrete

Depois chegam estes dias em que o tempo tem que ser de mudança...
São dias em que percebes que assim não faz sentido, que tens de te restruturar, ou pelo menos restruturar a tua vida.
Foste até onde te deixaram ir e agora mandaram-te parar. É tempo de perceber o que andas a fazer.
Vais escolher um novo caminho, vais escolher um caminho em que a prioridade sejas tu.
Acalma o ego e pensa bem para onde queres ir. Faz escolhas racionais e, depois, deixa-te levar pelas emoções, só para variar. Não percas mais tempo com o que não interessa. Concentra as tuas energias no que interessa, em quem interessa.
Faz valer o que tens de melhor.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

O que nos torna mais fortes (ou o que nos torna melhores)




Olhar para trás e não acreditar, olhar para o lado e não acreditar. Olhar à nossa volta, olhar os outros e não acreditar. Não acreditar, não lutar, desistir. Parar e recomeçar.
Olhar em frente e não ver. Decidir esperar, saber esperar. Acreditar mais em nós do que nos outros, alguns. Reagir, dar um passo atrás, dar um passo ao lado, seguir em frente.
É um ciclo, é assim, é sempre assim, porque somos frágeis, porque acreditamos, em nós e nos outros. Damos mais de nós, damos tudo, porque acreditamos. E depois já não acreditamos. Porque somos frágeis, porque somos frágeis.



Já o disse aqui. Tenho tido sorte, a vida tem-me corrido bem. Não é sorte avulso. Luto porque acredito que só assim faz sentido, exijo muito de mim, o máximo. Assim ninguém me poderá exigir nada, ninguém me poderá exigir mais do que eu já terei exigido e por isso as coisas correm bem.
Acredito que quando a vida flui positivamente, nos tornamos mais frágeis. São as dificuldades que nos tornam mais fortes e tenazes. Essa tenacidade de quem transpõe obstáculos, essa robustez natural que as dificuldades criam àqueles que estão sempre a cair, ou a deparar-se com esses novos obstáculos, fá-los mais fortes. Sou, por isso, mais frágil.
Nos momentos de maior susceptibilidade emocional fecho-me em mim e, numa atitude racional, analiso e percebo onde estou, como sou e, até, quem sou. É nesse momento que percebo que me venho transformando numa pessoa menos racional, menos frio e com menor capacidade de autocrítica, menor força anímica e mais sensível. Menos capaz de dar aos outros e com maior necessidade de receber. Por fim, o sentido de humor fica congelado.



Depois chegam dias como o de ontem, em que os amigos, sem saberem, nos fazem ser apenas alma, apenas emoção. Chega o telefonema que nos faz, de uma forma instantânea e irrecusável, mudar os planos, e ir a correr para lá.
A recompensa não tarda, porque somos bem recebidos, porque nos tratam bem, porque se tem uma noite “daquelas” e, em conversa atrás de conversa, hora após hora, se concretiza a certeza de que tem que haver sempre lugar para os amigos, estes com quem estamos e que contam connosco, que puxam por nós, que nos aceitam tal como somos, com as nossas forças e fragilidades. Às tantas, dou por mim a pensar que não quero que a noite acabe, não esta, não esta em que os amigos, sem o saberem, desempenham na perfeição o papel que lhes foi, há muito, atribuído. Naquelas horas em que falamos dos outros, mas também de nós, em que damos opiniões, em que recebemos críticas e elogios partilhados por quem está ali connosco, percebo que me venho transformando numa pessoa melhor – a todos os níveis, segundo os amigos. E é tão bom.



A noite acabou.
Fui dormir. Dormi melhor e acordei melhor.
Hoje apetece-me ser ainda melhor pessoa, e dar mais às pessoas que me querem bem. Apetece-me estar mais vezes mais perto de quem me trata bem, de quem cuida de mim sem saber que o está a fazer.
Apetece-me estar com as pessoas que não vejo há muito tempo, e que continuam a ver em mim a criança de outros tempos, talvez por as fazer sentir mais longe do fim. Hoje vou ao cemitério, hoje vou recordar aqueles que nunca esqueço, hoje vou estar mais perto deles e, por momentos, orgulhar-me da pessoa que eles veriam, se cá estivessem.
Hoje vou ser quase perfeito.


(Texto escrito ao acordar)

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

No que depender de nós

É assim que somos.
Aproveitamos toda e qualquer desculpa como certeza de que amanhã se não estivermos iguais estaremos pior nos nossos mundos, nas nossas vidas. É assim, porque é mais fácil.
Somos capazes de mais, de bem melhor, mas agarramo-nos ao passado, ao presente, mas nunca ao futuro, agarramo-nos às desculpas fáceis para justificar as nossas fragilidades. Agarramo-nos ao que não temos, ao que nunca tivemos, e desejamos o que gostariamos de ter, de fazer ou de ser, mas não damos um único passo nesse sentido.
Gostamos de ser seres comodistas, apenas capazes de nos movermos numa banda de conforto, que criamos ou nos criaram, e tudo o que seja saltar fora dessa banda é arriscar no incerto. Preferimos não o fazer.
Temos a capacidade dentro de nós, mas não a libertamos, não nos servimos dela, não evoluimos.
Enquanto houver quem nos alimente os medos, ficaremos por aí, onde sempre estivemos.
Somos críticos em relação aos outros e benevolentemente compreensivos connosco próprios. Entendemos as desculpas dos outros como desculpas, e as nossas como válidas certezas de que tem mesmo de ser assim porque.

Não somos nada disto. Somos melhores. Enchemo-nos de esperanças e expectativas. Programamos o futuro, passo a passo, estabelecemos metas e procuramos atingi-las. Procuramos o contacto certo, no momento certo. Procuramos as pessoas e esperamos que nos procurem a nós, que nos considerem válidos e úteis. Gostamos que contem connosco.
Somos felizes com o que temos porque limitamo-nos a não pedir demais. Somos felizes porque nos damos por satisfeitos com o que a vida nos vai dando. E temos sorte. Vivemos bem porque temos sorte.

Somos ainda melhores. Puxamos pelos outros e arriscamos, corremos atrás. Não nos agarramos àquilo que temos, somos insatisfeitos e procuramos ter ainda mais. Não procuramos o sucesso pelo sucesso, como recompensa. Procuramos o sucesso pela satisfação de vermos atingidos os nossos intentos. Não procuramos ser felizes porque já o somos, não com o que temos mas com o que fazemos, com as metas que alcançamos, com os desafios que nos colocamos. Consideramos que a nossa vida está repleta de tudo o que entendemos ser o que antes procuravamos. Somos insatisfeitos. Olhamos em frente e partimos para o estágio seguinte. Não nos deixamos acomodar com o que temos. Olhamos para trás mas não ficamos lá. Vamos aprendendo com o que deixamos para trás e utilizamos essa aprendizagem para alcançar o que está para vir.

Qual deles somos nós?