Esta noite tive a maior prova de que o a forma de estar, o trabalho que fiz e a forma como construí um caminho profissional me fizeram estar bem. Hoje o dia vai nascer feliz...
Em dias mais felizes sentimo-nos bem. Quando a vida corre de feição, quando o dia e a noite não chegam para o que precisamos. Quando o tempo é curto e a vontade é grande. Chegar tarde, deitar tarde, levantar cedo, viver muito, trabalhar muito, sorrir muito, correr muito, falar muito, ter muito para fazer e muito para partilhar e, mais ainda, para aprender. Gostar do que se faz e estar contente pelas decisões que se toma. Quando assim é, é fácil. É quase perfeito. Tudo se resume, neste momento, a uma de duas coisas - coragem ou a falta dela. Acredito que sou mais do tipo dos que encontram na falta de coragem a oportunidade para fazer coisas. A falta de coragem de deixar para mais tarde o que se pode e se quer fazer. A falta de coragem quando se tem medo que a linha que se tem na mão seja, afinal, curta e, por isso, um dia chegará o fim. Que nesse fim valha a pena olhar para trás satisfeito, pelo que atingimos e pela vida que tivemos e que proporcionamos a nós mesmos. Na verdade, quero crer na coragem de lutar para que o hoje seja um dia melhor. Todos os dias até ao último. Acreditar que o futuro é longo, mas que se constrói todos os dias. Que todos os dias vale a pena fazer melhor. Que apesar do cansaço, há - tem que haver - energia para ir mais além. Acreditar que do lado de cá do Sol isto é bem melhor do que o que por vezes fazemos crer. Podemos construir o que quisermos, mas só construimos alguma coisa quando há coragem. Por vezes não a usamos, mas nunca a devemos perder. Poderemos perder tudo, mas nunca poderemos perder a coragem. Devemos acreditar. acreditar torna-nos mais temperados. Não acreditar ou desacreditar torna-nos secos, àridos.
Para aqueles que pensarem que digo isto porque a vida me corre bem, eu respondo, sim. Corre. Sinto que esta mudança me fez bem, que estou novamente lá, onde quer que isso seja!
De repente, dás-te no meio de uma cena tão marada, tão marada, que nem sabes para que lado te vais virar. Se fosse possível juntar o melhor das partes para construir o todo... mas infelizmente não é possível... Depois temos que escolher, temos que tomar decisões. Percebemos que as decisões emocionais continuam a ser piores do que as racionais. Mas o que está feito já não tem volta. Escolher objectos necessários ao bem estar do dia-a-dia tem que ser, acima de tudo, racional. Eu decidi de forma emocional. Isto, comigo, passa-se todos os dias. Às vezes não me entendo, mas continuo a gostar muito de mim. Egocêntrico? Penso que não. Apenas orgulhoso por, apesar de tudo, não adiar nada. Decidi, bem ou mal, decidi!
De há uns tempos a esta parte, tenho tido a possibilidade de conversar ou assistir a conversas com mulheres com mais de 30 anos, as quais vivem hoje a ressaca de um desamor. Essas mulheres de 30 vivem ou viveram relações que as fizeram deixar de acreditar no sonho cor-de-rosa de uma vida quase perfeita. Se por um lado, eu faço parte do lote de "bons malandros" - desculpem lá o eufemismo, mas hoje não estou virado para o vernáculo! - por outro lado, gostava de poder olhar para essas mulheres e, eu próprio, acreditar que ainda vamos todos a tempo de viver vidas quase perfeitas. Olho para elas e, enquanto homem, continuo a vê-las como mulheres bem interessantes que são, embora numa boa parte dos casos, elas já não se sintam assim interessantes, não se sintam seguras e muito menos acreditem que haja homem algum que as faça voltar a sonhar. E, afinal, onde está o erro? Porque é que estas coisas acontecem? Porque é que acontecem assim tantas vezes? Porque ninguém, homem ou mulher, está hoje disposto a fazer sacrifícios, a ceder e a perceber quem está do outro lado. E não, não são só os homens os culpados. Embora os homens sejam, de facto, mais culpados! As mulheres, apesar de lutarem mais, de serem mais sofredoras e de serem capazes de perdoar mais vezes ou mais facilmente, também não percebem que do lado de lá está alguém que continua, nos padrões actuais da sociedade, a ter a vida a jogar mais a seu favor e por isso a facilitar mais, a desleixar-se mais, a distrair-se mais, mostrando, erradamente, menos interesse na construção do sonho de ambos. Além disso, há a liberdade. Tal como em toda a história do mundo, a liberdade, depois de conquistada é, muitas vezes, mal empregue ou empregue de forma extrema. Por isso, a liberdade pela qual as mulheres tanto - e bem - lutaram, é extremada, acabando por ser usada para vincar posições e mostrar que têm direito à sua própria liberdade, desistindo de lutar por aquilo que, afinal elas também querem, que é uma relação saudável e assente em valores. À medida que o tempo avança, dou por mim a pensar em como nós homens somos ou fomos capazes de fazer alguém sofrer. Em primeiro lugar, nós não merecemos. Em segundo lugar, era suposto as pessoas excluirem de dentro de si e das suas vidas as coisas piores que lhes acontecem ou aconteceram, mas as mulheres não o fazem. Sofrem, sofrem porque nós as desiludimos, sofrem porque acreditaram e sofrem ainda porque perceberam que acreditaram mais do que nós. Por fim, percebo a sorte que temos quando vejo uma mulher sofrer por um homem e percebo que esse homem não o merecia e percebo-o melhor quando esse homem não sou eu.
Resumindo, envergonho-me de fazer parte do lote e fico triste por nós, homens, termos esta imensa capacidade de magoar pessoas que, afinal, durante algum tempo foram muito importantes nas nossas vidas.
(A úlima conversa que tive sobre o tema foi na 2º feira, no regresso de Lisboa! Uma viagem animada, debaixo de chuva!)
Quando faço algo por alguém, não o faço à espera que me retribuam, nem cobro o que faço. Faço porque gosto da pessoa, ou porque entendo que determinada pessoa merece que o faça. E dá-me prazer fazê-lo. Dá-me prazer ajudar alguém a ser mais feliz, a ficar mais contente, a sentir-se um bocadinho melhor. Obviamente que não sou "o bom samaritano", não sou escuteiro, nem me ocupo a fazê-lo todos os dias. Isto tudo até pode ser muito bonito, até pode ser muito bom, até pode fazer de mim melhor pessoa ou, ainda, por o afirmar aqui, criar uma imagem de mim de um tipo porreiro, que vive a vida feliz a fazer o bem. Nada disso. Não sou assim. Há muita gente que é até capaz de afirmar o contrário, tenho essa ideia! Lembrei-me de escrever sobre este tema, mas não porque queira evidênciar algum gesto ou acção que tenha feito que comprove o que digo. Não. O que me faz escrever este texto é sentir, cada vez mais, que as pessoas dão cada vez menos valor á medida que fazemos mais e mais por elas. Ou seja, um gesto isolado tem muito valor, mas muito gestos repetidos no tempo têm menos valor. Pior ainda, quando esperamos que as pessoas, num determinado momento, façam algo por nós, não como troca, nem como forma de pagamento, mas apenas pelo prazer, aquele mesmo que sentiram quando fizemos algo por elas. Nunca vou cobrar por o ter feito, mas é pouco provável que continue a fazer as coisas, da mesma forma, com o mesmo prazer, a uma pessoa que, quando eu precisei de ajuda, por mais complicado ou simples que tenha sido, não tenha mexido um único dedo. Ao mesmo tempo, não me arrependo de ter feito o que quer que fosse para ver alguém melhor, mas não quer dizer que se a situação se repetir eu o volte a fazer. E sabem o que é que me aborrece mais? É que como felizmente (Graças a Deus!!!) preciso tão poucas vezes, de tão pouca coisa, quando preciso noto bem as ajudas que aparecem. As voluntárias, claro. Se aparecem!
É também possível que eu esteja completamente errado!...
Hoje esqueceram-se de mim ao almoço. Esqueceram-se de me perguntar se ia com eles. Ou então não me quiseram convidar, não me quiseram perguntar se eu queria ir com eles. Sim, coloco ambas as hipóteses, não sou assim tão presunçoso. Poderia ficar aqui a lamentar-me. Mas não. Esse esquecimento pode ter trazido novas perspectivas. Dava jeito que sim. Vamos a ver. Vamos forçar. Ah! O almoço foi agradável, a conversa foi interessante, não me senti deslocado, apesar de tudo. De tudo... No início da tarde fui ter com eles/elas para saber quem se tinha esquecido de me convidar para o almoço. Descobri os culpados. E tive vontade de lhes agradecer o esquecimento, mas o meu momento fui-vítima-do-vosso-esquecimento-e-quero-que-vocês-saibam-disso-e-peçam-desculpa-porque-isso-não-se-faz já não teria a mesma piada. Um gajo quando quer também saber agir como as gajas...
A família. Os amigos. As amigas. O amor. A paixão. O Trabalho. O descanso. A música. O Futebol. Aquele golo. Um bom jantar. Um bom vinho. O programa preferido. A série preferida. As férias. As viagens. Os cd's. Os livros. Os filmes. O que me lembrei. O que me esqueci. Tudo o que faz parte da minha vida. Tudo o que gostava que fizesse parte da minha vida. Tudo passa por aqui...