O tempo está que não se pode.
O meu tempo também está desalinhado. A uma semana de fechar a actual página profissional, tenho estado a trabalhar como um doido. Acho que alguém se esqueceu que estou de saída...
Hoje participei pela última vez na reunião de equipa. Preparei a apresentação da reunião ontem e hoje partilhei a gestão da agenda da reunião com o meu chefe. Foi a última. Não foi nada motivante. Apresentar planos de acção para o trimestre quando já não vou lá estar... foi estranho.
Não tenho conseguido entrar na administração do meu próprio blog. Ou a ligação ou o computador estão-se a passar. Não percebo.
O concerto do Nick Cave é já na próxima semana e ainda nem tenho o novo album, mas também não tenho tido tempo para o ouvir.
Já disse que o tempo está que não se pode?
sexta-feira, 18 de abril de 2008
sábado, 12 de abril de 2008
Perto do fim
Dia 24 será o meu último dia na empresa. Duas semanas (ainda) me separam desse dia. Estes dias são de ansiedade... muita.
Hoje estive num evento da minha futura empresa. Foi giro. Já conheci alguns colegas e fornecedores.
Tenho de passar brevemente num stand para perceber se é aquele o carro que eu quero. Depois é esperar que o valor do "renting" não seja impeditivo.
Em Maio devo ir a Londres em trabalho, já pela nova empresa, claro.
Antes ainda vou para Madrid, de 27 a 30 de Abril, sozinho, de férias. Já marquei o vôo e o hotel. Nunca fui de férias sozinho, mas dadas as circunstâncias, tinha de ser. Espero vir a gostar. Ir de férias sozinho não é nada bom sinal. Nada mesmo.
Hoje estive num evento da minha futura empresa. Foi giro. Já conheci alguns colegas e fornecedores.
Tenho de passar brevemente num stand para perceber se é aquele o carro que eu quero. Depois é esperar que o valor do "renting" não seja impeditivo.
Em Maio devo ir a Londres em trabalho, já pela nova empresa, claro.
Antes ainda vou para Madrid, de 27 a 30 de Abril, sozinho, de férias. Já marquei o vôo e o hotel. Nunca fui de férias sozinho, mas dadas as circunstâncias, tinha de ser. Espero vir a gostar. Ir de férias sozinho não é nada bom sinal. Nada mesmo.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Agora sim...
Este espaço regressa à normalidade ou, melhor dizendo, à banalidade.
Começo por Sábado. O passado, claro está (ainda não consigo prever o futuro).
No Sábado, jà a noite ia longa, já muitos copos tinham rolado naquelas sempre longas maratonas de conversas entre amigos, naquelas intermináveis discussões, naquela exuberância que faz com que quem esteja de fora pense que a discussão vai acabar mal, tal é o tom de voz - entusiástico - com que esgrimimos argumentos.
A certa altura o G., após todos termos expressado a nossa opinião sobre a sua anterior relação, diz-me «isso que estás a dizer são lugares comuns!». Eu concordei e, enquanto me preparava para levantar da cadeira e ausentar por breves instantes, faço a pergunta a todo o grupo: «E não será que a vida é mesmo assim, cheia de lugares comuns?». Entre acenos de cabeça de concordância, o G., após um «não é bem assim», muda a conversa e disfere-me um ataque, levando a conversa para aquela que tem sido a "conversa-massacre" que todos têm usado quando se querem referir a mim. Foda-se. Já não tenho paciência. Todos parecem saber mais da minha vida do que eu próprio!!!
Com todos estes fait-divers, lá deixamos mais uma discussão a meio... como vem sendo hábito.
Tenho estado empenhado em não falhar com o compromisso que assumi com o ainda meu chefe - deixar tudo encaminhado antes de sair.
Quando nos preparamos para mudar de emprego, a motivação, a concentração, a vontade e o entusiasmo começam a desvanecer. A cabeça já não pensa no que se passa ali, mas no que vem a seguir. É difícil. Tem sido difícil. Amanhã ou depois falarei disso...
Música. Esta, ficou-me no ouvido. É agradável, as letras são giras, e a voz dela é fantástica. Para além disso é gira que se farta. Fui vê-la ao Plano B e gostei, embora ache que no palco ainda tem muito para evoluir.
Esta outra tem a ver com o concerto a que assisti na semana passada no coliseu do Porto. Ambos os cd's da banda são bons e em palco são muito animados. Falta, talvez, arranjos diferentes para os concertos ao vivo. Falta esticar as músicas. Daí que muitas vezes opte por ficar em casa em vez de ir aos concertos ou festivais. Gosto de ser surpreendido e nem sempre sou e se assim não for, para quê comprar um bilhete, se basta comprar o cd? Mas reconheço que, neste caso, iria novamente porque gostei, só que estava à espera de mais.
Começo por Sábado. O passado, claro está (ainda não consigo prever o futuro).
No Sábado, jà a noite ia longa, já muitos copos tinham rolado naquelas sempre longas maratonas de conversas entre amigos, naquelas intermináveis discussões, naquela exuberância que faz com que quem esteja de fora pense que a discussão vai acabar mal, tal é o tom de voz - entusiástico - com que esgrimimos argumentos.
A certa altura o G., após todos termos expressado a nossa opinião sobre a sua anterior relação, diz-me «isso que estás a dizer são lugares comuns!». Eu concordei e, enquanto me preparava para levantar da cadeira e ausentar por breves instantes, faço a pergunta a todo o grupo: «E não será que a vida é mesmo assim, cheia de lugares comuns?». Entre acenos de cabeça de concordância, o G., após um «não é bem assim», muda a conversa e disfere-me um ataque, levando a conversa para aquela que tem sido a "conversa-massacre" que todos têm usado quando se querem referir a mim. Foda-se. Já não tenho paciência. Todos parecem saber mais da minha vida do que eu próprio!!!
Com todos estes fait-divers, lá deixamos mais uma discussão a meio... como vem sendo hábito.
Tenho estado empenhado em não falhar com o compromisso que assumi com o ainda meu chefe - deixar tudo encaminhado antes de sair.
Quando nos preparamos para mudar de emprego, a motivação, a concentração, a vontade e o entusiasmo começam a desvanecer. A cabeça já não pensa no que se passa ali, mas no que vem a seguir. É difícil. Tem sido difícil. Amanhã ou depois falarei disso...
Música. Esta, ficou-me no ouvido. É agradável, as letras são giras, e a voz dela é fantástica. Para além disso é gira que se farta. Fui vê-la ao Plano B e gostei, embora ache que no palco ainda tem muito para evoluir.
Esta outra tem a ver com o concerto a que assisti na semana passada no coliseu do Porto. Ambos os cd's da banda são bons e em palco são muito animados. Falta, talvez, arranjos diferentes para os concertos ao vivo. Falta esticar as músicas. Daí que muitas vezes opte por ficar em casa em vez de ir aos concertos ou festivais. Gosto de ser surpreendido e nem sempre sou e se assim não for, para quê comprar um bilhete, se basta comprar o cd? Mas reconheço que, neste caso, iria novamente porque gostei, só que estava à espera de mais.
terça-feira, 8 de abril de 2008
A Banda Sonora
A música tem sido parte integrante desta vida quase perfeita e, claro, também da minha vida. Enquanto escrevo este texto estou a ouvir música. Em cada momento da minha vida a música está sempre presente. Quando vou de férias compro no destino um Cd o qual saberei sempre onde, como e porque o comprei.
Pedi a cada um dos que deram um bocadinho de si nos festejos que me indicassem uma música que pudesse fazer parte da banda sonora de uma vida quase perfeita.
É assim que termina esta iniciativa que criei para este primeiro aniversário - com as músicas dessa banda sonora.
Missanga Azul:
Ana:
Inês:
TNT:
>
Tsetse:
Disco 1:
Disco 2:
Porthos:
Carlos Malmoro:
(Colocada juntamente com o texto dele)
Mike (o gerente deste espaço!):
Rui (eu próprio, a pessoa por detrás da personagem!):
É desta forma que dou por encerrados os festejos do primeiro aniversário desta vida quase perfeita. A partir de amanhã retomarei a minha normal vida quase perfeita.
Obrigado a todos os que participaram. Como disse, quando esta iniciativa arrancou, este espaço é feito para todos os que por aqui passam. Peço desculpa aos visitantes que não foram convidados a participar. Agradeço ainda aos convidados que por algum motivo não quiseram ou não puderam participar. Lamento.
Resta-me agradecer a todos os participantes e visitantes que ajudam a colorir esta vida quase perfeita. Lêmo-nos por aí!
Pedi a cada um dos que deram um bocadinho de si nos festejos que me indicassem uma música que pudesse fazer parte da banda sonora de uma vida quase perfeita.
É assim que termina esta iniciativa que criei para este primeiro aniversário - com as músicas dessa banda sonora.
Missanga Azul:
Ana:
Inês:
TNT:
>
Tsetse:
Disco 1:
Disco 2:
Porthos:
Carlos Malmoro:
(Colocada juntamente com o texto dele)
Mike (o gerente deste espaço!):
Rui (eu próprio, a pessoa por detrás da personagem!):
É desta forma que dou por encerrados os festejos do primeiro aniversário desta vida quase perfeita. A partir de amanhã retomarei a minha normal vida quase perfeita.
Obrigado a todos os que participaram. Como disse, quando esta iniciativa arrancou, este espaço é feito para todos os que por aqui passam. Peço desculpa aos visitantes que não foram convidados a participar. Agradeço ainda aos convidados que por algum motivo não quiseram ou não puderam participar. Lamento.
Resta-me agradecer a todos os participantes e visitantes que ajudam a colorir esta vida quase perfeita. Lêmo-nos por aí!
sábado, 5 de abril de 2008
Uma Vida Quase Perfeita
Sonhar com uma vida quase perfeita é sonhar com coisas simples. Uma vida quase perfeita é, para mim, uma vida simples, mas repleta de coisas boas. São as amizades, as viagens, a família, os momentos que recordamos e também os que gostariamos de não lembrar, o filme que mexeu connosco, a música que parece ter sido escrita por nós ou para nós, é o nosso cantinho, onde construímos o nosso lar, num espaço que é nosso mas que gostamos de partilhar. É a partida e o regresso, é o país que nós somos, que nós construimos. São os aromas e os sabores que temos sempre presentes quando vamos para fora. É a saudade, a imensa saudade de estar onde não estamos ou de estar com quem não estamos. É o Sol, na Primavera, é o calor do Verão, os tons castanhos ou avermelhados do Outono e o frio do Inverno. É o Natal em família. São todos os votos que todos os fins-de-ano repetimos para o ano seguinte. São as recordações da infância como as férias grandes, os amigos que deixamos para trás na evolução das nossas vidas e os amigos que ganhamos nessa mesma evolução. É crescer e tornarmo-nos responsáveis, é o emprego que escolhemos ou aquele que somos obrigados a ter, é o fim-de-semana e o fim-do-mês, que parecem nunca mais chegar, são os horários que temos que enfrentar. É o Domingo inteirinho no sofá, é acordar tarde ao fim-de-semana. São os feriados e as férias. É ter-te aqui, é deixar-te ir, é querer voltar a ver-te. São as relações, as difíceis e as fáceis, que nos agradam ou que nos decepcionam. É lutar por conseguir que dure ou o ponto final. É não ter a relação que se gostava de ter. É sonhar com ela, a relação quase perfeita, que ao longo da vida acreditamos vir a ter ou desejamos que nunca acabe. É ser feliz com pouco. É dar muito. É surpreender e ser suspreendido. É termos alguém ao nosso lado, companheiro de uma vida, é não estar com ninguém. É a decepção, é cair e voltar a erguer para, de novo, voltar a cair. É levantar novamente, com mais força do que nunca e, com um grande sorriso de esperança, seguir em frente sem nunca, nunca deixar de acreditar. É ter fraquezas, medos e receios. É ser forte, tenaz e obstinado. É o orgulho de sermos quem somos ou querermos ser melhores. É superarmo-nos no dia-a-dia e o prazer de o sentir. São os sonhos. São os projectos, os que concluimos e os intermináveis e ainda aqueles que adiamos eternamente.
É acreditar que, um dia, quando olharmos para trás vamos ter a certeza que «sim, eu fui feliz. Eu construí a minha vida quase perfeita». Todos os dias...
- Bom fim-de-semana -
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Um País Quase Perfeito
Para o fim ficou este tema. Será, para muitos, o mais chato e tirará a alguns a vontade de ler. Talvez, mas experimentem lê-lo...
Uma vida quase perfeita tem que ter tudo sobre o que até agora se escreveu, mas tem também uma origem, uma nação, um espaço geográfico. O nosso é este, Portugal. Assim, pedi ao Carlos Malmoro que, com os seus doutos conhecimentos e com a mestria da sua escrita, nos transmitisse a sua visão de um país - o nosso - quase perfeito.
Abrindo aqui uma excepção, vou deixar-vos com música de fundo para acompanhar a leitura do texto. A música foi, também ela, uma escolha do Carlos Malmoro.
Uma belíssima união de tradição com modernidade com o resultado a ser melhor que a soma das partes
A Perfeição não existe. Embora seja esta uma verdade universal, penso que é aqui que começa o mal-estar dos portugueses com Portugal – exigem uma nação perfeita. Não exigem que a companheira seja perfeita, até porque dá um certo charme aquele defeitozinho, não exigem que a família seja perfeita, porque todos temos os nossos dias menos bons, e as discussões são sinais de preocupação, e uma palavra em excesso que por vezes escapa é sinal que somos humanos, não exigimos amigos perfeitos, porque uma das provas da amizade é justamente apontar ao amigo as suas imperfeições. E é justamente esta multidão de gente imperfeita a que eu darei o nome de portugueses que exige um Portugal perfeito.
Claro que a exigência nunca é má, a ambição tão pouco, mas se forem tomadas em medidas exageradas conduzem ao derrotismo, a primeira, e à ganância, a segunda. E assim identifico dois males da sociedade portuguesa – o derrotismo e a ganância. Aquando do furacão Katrina nos EUA, uma reportagem noticiosa foca uma família: pai mãe e dois filhos. Atrás deles, aquilo que um dia fora a sua casa, agora um monte de escombros, sendo que parte dos destroços tinha aterrado em cima do seu carro destruindo-o. Ou seja, uma família de classe média tinha visto ir pelos ares, literalmente, toda uma vida de trabalho. O repórter pergunta-lhe «E agora?» «Bem, agora tem que se recomeçar tudo de novo.», diz ele. «Como se tivéssemos vinte anos outra vez» acrescenta ela. Eu recordo-me desta reportagem por ter pensado: um português teria falado nos incentivos que o Governo tem de dar, do nenhum apoio da UE ou de outra coisa qualquer. Uma outra ideia: sempre que viajo e que digo de onde sou as reacções são sempre de elogio para o país e os portugueses. Não gostamos de nós nem do país que construímos. Mas a responsabilidade não é nossa.
Depois do derrotismo, como país bipolar que somos, passamos à fase da ambição desmedida, desmesurada, destemperada: a ganância. Os exemplos são mais do que muitos, e normalmente terminam mal. O melhor exemplo EURO 2004 – 10 estádios novinhos, milhões de euros em acessos, logística gigantesca, estrelas com "umbigos" descomunais, aposta na vitória na final e um cortejo faraónico a acompanhar a selecção desde o estágio até ao estádio. Resultado: Grécia 1 – Portugal 0 e dez estádios dos quais sete são economicamente inviáveis…
Na Economia são três os grandes males que encontro para Portugal: má distribuição da riqueza entre classes e entre o interior e o litoral, quase metade da riqueza servir para manter o Estado e existir cerca de 40% de economia paralela – fuga aos impostos, contrafacção, …
Para finalizar, que o texto já não vai curto, quero apenas deixar duas ideias: uma prende-se com a inevitabilidade deste texto estar incompleto, bastante, mas dentro do "tamanho normal de um post" (exigência do Mike) foi o que consegui de melhor para tentar dar um retrato do país. Um segundo apontamento: nunca exigir um país perfeito aos governantes. As duas últimas vezes que se exigiram Estados perfeitos foi na Alemanha nazi e na URSS de Estaline. O resultado foi brutalmente convincente. Devemos, isso sim, exigir um país um pouco menos imperfeito, um país um pouco menos injusto, um país um pouco mais desenvolvido, um país quase quase perfeito.
Carlos Malmoro
PS: Ao Mike, e ao seu blogue quase perfeito, felicidades e longa vida blogosférica.
Caro Carlos, para mim é um grande orgulho ter um texto teu aqui. Muito obrigado.
Uma vida quase perfeita tem que ter tudo sobre o que até agora se escreveu, mas tem também uma origem, uma nação, um espaço geográfico. O nosso é este, Portugal. Assim, pedi ao Carlos Malmoro que, com os seus doutos conhecimentos e com a mestria da sua escrita, nos transmitisse a sua visão de um país - o nosso - quase perfeito.
Abrindo aqui uma excepção, vou deixar-vos com música de fundo para acompanhar a leitura do texto. A música foi, também ela, uma escolha do Carlos Malmoro.
Uma belíssima união de tradição com modernidade com o resultado a ser melhor que a soma das partes
A Perfeição não existe. Embora seja esta uma verdade universal, penso que é aqui que começa o mal-estar dos portugueses com Portugal – exigem uma nação perfeita. Não exigem que a companheira seja perfeita, até porque dá um certo charme aquele defeitozinho, não exigem que a família seja perfeita, porque todos temos os nossos dias menos bons, e as discussões são sinais de preocupação, e uma palavra em excesso que por vezes escapa é sinal que somos humanos, não exigimos amigos perfeitos, porque uma das provas da amizade é justamente apontar ao amigo as suas imperfeições. E é justamente esta multidão de gente imperfeita a que eu darei o nome de portugueses que exige um Portugal perfeito.
Claro que a exigência nunca é má, a ambição tão pouco, mas se forem tomadas em medidas exageradas conduzem ao derrotismo, a primeira, e à ganância, a segunda. E assim identifico dois males da sociedade portuguesa – o derrotismo e a ganância. Aquando do furacão Katrina nos EUA, uma reportagem noticiosa foca uma família: pai mãe e dois filhos. Atrás deles, aquilo que um dia fora a sua casa, agora um monte de escombros, sendo que parte dos destroços tinha aterrado em cima do seu carro destruindo-o. Ou seja, uma família de classe média tinha visto ir pelos ares, literalmente, toda uma vida de trabalho. O repórter pergunta-lhe «E agora?» «Bem, agora tem que se recomeçar tudo de novo.», diz ele. «Como se tivéssemos vinte anos outra vez» acrescenta ela. Eu recordo-me desta reportagem por ter pensado: um português teria falado nos incentivos que o Governo tem de dar, do nenhum apoio da UE ou de outra coisa qualquer. Uma outra ideia: sempre que viajo e que digo de onde sou as reacções são sempre de elogio para o país e os portugueses. Não gostamos de nós nem do país que construímos. Mas a responsabilidade não é nossa.
Depois do derrotismo, como país bipolar que somos, passamos à fase da ambição desmedida, desmesurada, destemperada: a ganância. Os exemplos são mais do que muitos, e normalmente terminam mal. O melhor exemplo EURO 2004 – 10 estádios novinhos, milhões de euros em acessos, logística gigantesca, estrelas com "umbigos" descomunais, aposta na vitória na final e um cortejo faraónico a acompanhar a selecção desde o estágio até ao estádio. Resultado: Grécia 1 – Portugal 0 e dez estádios dos quais sete são economicamente inviáveis…
Na Economia são três os grandes males que encontro para Portugal: má distribuição da riqueza entre classes e entre o interior e o litoral, quase metade da riqueza servir para manter o Estado e existir cerca de 40% de economia paralela – fuga aos impostos, contrafacção, …
Para finalizar, que o texto já não vai curto, quero apenas deixar duas ideias: uma prende-se com a inevitabilidade deste texto estar incompleto, bastante, mas dentro do "tamanho normal de um post" (exigência do Mike) foi o que consegui de melhor para tentar dar um retrato do país. Um segundo apontamento: nunca exigir um país perfeito aos governantes. As duas últimas vezes que se exigiram Estados perfeitos foi na Alemanha nazi e na URSS de Estaline. O resultado foi brutalmente convincente. Devemos, isso sim, exigir um país um pouco menos imperfeito, um país um pouco menos injusto, um país um pouco mais desenvolvido, um país quase quase perfeito.
Carlos Malmoro
PS: Ao Mike, e ao seu blogue quase perfeito, felicidades e longa vida blogosférica.
Caro Carlos, para mim é um grande orgulho ter um texto teu aqui. Muito obrigado.
domingo, 30 de março de 2008
Mulheres Quase Perfeitas
O "mosqueteiro" Porthos, com quem durante algum tempo fui disputando (e espero continuar a fazê-lo) os melhores comentários aos textos das meninas do IF, teve como desafío escrever sobre a quase-perfeição das mulheres. Aqui fica...
Todas as mulheres são perfeitas.
O erro provavelmente é nosso. Nas nossas complicadas cabeças, primeiro, não
sabemos o que é a perfeição, segundo, estamos sempre a efectuar uma nova
concepção da mesma!
Há quem passe bem sem elas, evitando relações mais sentimentais, apenas
"saboreando" o doce prazer da carne. Mas, mesmo esses sabem o risco que
correm. Ceder a qualquer altura aos seus encantos é fácil, tal a quantidade
de qualidades que nos podem agradar, surpreender e completar.
Eu desde cedo me deixei levar, e ainda bem, nunca gostei de estar sozinho,
e o pouco tempo que estive, nunca me senti completo.
Iludi-me, aprendi, caí, levantei-me, questionei-me, amei, protegi, ensinei,
mimei e sobretudo mudei. Se não estamos dispostos a mudar, então o melhor é
repensar se estaremos preparados para viver a dois.
Mas deixem-me voltar às mulheres, o saber que a fragilidade pode ser
guerreira e que nos pode surpreender e deixar orgulhosos, que o cheiro nos
pode causar sensações tão distintas e tão boas, que a suavidade da pele
pode despertar sensações únicas, que um conselho nos pode guiar e que a sua
força nos pode mudar e ajudar a alcançar muitos objectivos de vida.
E isto tudo é apenas um pouco do que se pode esperar de uma mulher
perfeita, essencial numa vida quase perfeita.
O erro provavelmente é nosso. Nas nossas complicadas cabeças, primeiro, não
sabemos o que é a perfeição, segundo, estamos sempre a efectuar uma nova
concepção da mesma!
Há quem passe bem sem elas, evitando relações mais sentimentais, apenas
"saboreando" o doce prazer da carne. Mas, mesmo esses sabem o risco que
correm. Ceder a qualquer altura aos seus encantos é fácil, tal a quantidade
de qualidades que nos podem agradar, surpreender e completar.
Eu desde cedo me deixei levar, e ainda bem, nunca gostei de estar sozinho,
e o pouco tempo que estive, nunca me senti completo.
Iludi-me, aprendi, caí, levantei-me, questionei-me, amei, protegi, ensinei,
mimei e sobretudo mudei. Se não estamos dispostos a mudar, então o melhor é
repensar se estaremos preparados para viver a dois.
Mas deixem-me voltar às mulheres, o saber que a fragilidade pode ser
guerreira e que nos pode surpreender e deixar orgulhosos, que o cheiro nos
pode causar sensações tão distintas e tão boas, que a suavidade da pele
pode despertar sensações únicas, que um conselho nos pode guiar e que a sua
força nos pode mudar e ajudar a alcançar muitos objectivos de vida.
E isto tudo é apenas um pouco do que se pode esperar de uma mulher
perfeita, essencial numa vida quase perfeita.
Este texto do Porthos e o tema em si é, mais do que um tema, uma homenagem às mulheres, em primeiro lugar, às que aqui passam, depois a todas as outras que conheci, conheço e, acredito, conhecerei ao longo da minha vida e de uma forma geral a todas as mulheres.
sábado, 29 de março de 2008
Amizades Quase Perfeitas
Para este fim-de-semana deixo-vos a visão do Disco 2 sobre a amizade...
Procuras numa pessoa a relação quase perfeita que é a amizade.
Estás para ela como ela está para ti. Sempre disponível, dia e noite, partilhando tudo o que é partilhável entre amigos.
Conhecessem-se e reconhecem-se nos actos, nos pensamentos, nos sorrisos e nas lágrimas.
Apoiam-se nos momentos mais difíceis. Sabem que podem usar e abusar, mas não o fazem, porque vos cabe também o papel de serem fortes sozinhos, tão fortes quanto o suporte que poderiam encontrar se assim o entendessem.
Fazem parte da vida um do outro, têm sempre um bocadinho de tempo, um bocadinho de espaço e uma palavra a mais.
Discordam e discutem, e também se desiludem. Faz parte.
São, em parte, extensão da família quando esta não está perto, são a companhia quase perfeita.
Não cobram. Os direitos estão já adquiridos.
Sabem que um dia terão vidas quase perfeitas, cada um a sua. Até lá, vão dando um empurrãozinho. Também faz parte.
E quando o indesejável acontece, quando tudo corre mal, sabem que há sempre um lugar à espera de ser ocupado.
São assim, as amizades quase perfeitas.
Quanto a mim, que sou um dependente dos amigos e que entendo a amizade, agradeço ao Disco 2 o texto e desejo um bom fim-de-semana a todos.
Procuras numa pessoa a relação quase perfeita que é a amizade.
Estás para ela como ela está para ti. Sempre disponível, dia e noite, partilhando tudo o que é partilhável entre amigos.
Conhecessem-se e reconhecem-se nos actos, nos pensamentos, nos sorrisos e nas lágrimas.
Apoiam-se nos momentos mais difíceis. Sabem que podem usar e abusar, mas não o fazem, porque vos cabe também o papel de serem fortes sozinhos, tão fortes quanto o suporte que poderiam encontrar se assim o entendessem.
Fazem parte da vida um do outro, têm sempre um bocadinho de tempo, um bocadinho de espaço e uma palavra a mais.
Discordam e discutem, e também se desiludem. Faz parte.
São, em parte, extensão da família quando esta não está perto, são a companhia quase perfeita.
Não cobram. Os direitos estão já adquiridos.
Sabem que um dia terão vidas quase perfeitas, cada um a sua. Até lá, vão dando um empurrãozinho. Também faz parte.
E quando o indesejável acontece, quando tudo corre mal, sabem que há sempre um lugar à espera de ser ocupado.
São assim, as amizades quase perfeitas.
Quanto a mim, que sou um dependente dos amigos e que entendo a amizade, agradeço ao Disco 2 o texto e desejo um bom fim-de-semana a todos.
quinta-feira, 27 de março de 2008
Amizade Quase Perfeita
Hoje é a vez do Disco 1.
Nos dias que correm, é normal as pessoas da blogosfera poderem conhecer-se e criar amizade ou, por outro lado, mesmo não se conhecendo, comunicarem via msn ou outro qualquer meio e criar uma relação de amizade virtual. Neste caso também poderia ser assim... mas não é. É real, é uma amizade anterior, bem anterior, às lides blogosféricas.
Conhecemo-nos muito bem e só lhes poderia pedir (ao Disco 1 e também ao Disco 2) que falassem sobre a amizade.
Aqui fica o primeiro de dois textos sobre o tema.
Uma Amizade Quase Perfeita…
… é coisa que não existe. Um amigo ou é, ou não é.
Se é, então é perfeito em todos os seus defeitos e lacunas. E é imperfeito em todas as suas qualidades e pontos fortes. Mas o mais importante é que é amigo, está lá, chora, grita, solta gargalhadas ou esperneia, sempre que lhe apetece. Tem esse direito. Adquiriu-o.
Os amigos bastam-nos só por existirem, pelo direito proprietário de amizade que temos em comum. A amizade não se cultiva, sente-se e vive-se.
Um amigo verdadeiro não nos impede de correr pela praia na noite mais fria do ano para tomar banho no mar. Vai connosco.
Não tem que andar na montanha-russa connosco mas preocupa-se em ter o algodão doce na mão quando finalmente saímos de lá.
Esses são os amigos.
São muito poucos. São os necessários. Até porque ter muitos amigos é não ter nenhum… como alguém disse. E não conheço amizade mais perfeita do que saber secar uma lágrima com um abraço, nem sentimento mais altruísta do que partilhar o que somos sem termos que nos preocupar com o que possam pensar disso.
Minha querida Disco 1, nunca te vou impedir de correres pela praia na noite mais fria do ano, mas espero que nunca me venhas pedir para ir junto. Pode ser? :-)
(na verdade, sabes que se pedisses até iria, apesar de o fazer sobre protesto!)
segunda-feira, 24 de março de 2008
Relações Quase Perfeitas (por Tsetse)
Depois de uns dias de pausa, cá estou eu de volta com o segundo texto sobre o tema "Relações Quase Perfeitas", desta vez da autoria da Tsetse.
Um texto «crú e hiper-realista» segundo me escreveu a própria autora...
= Relações quase perfeitas =
Se há coisa que aprendemos com a idade é que não existem relações perfeitas, porque não existem pessoas perfeitas. E que, se alguém nos parece perfeito, é porque ainda não o conhecemos o suficiente.
Aprendemos a contentar-nos com relações quase perfeitas e a desistir de sonhos, que nos parecem cada vez mais impossíveis. Depois, as pessoas mais práticas adaptam-se à situação e aos defeitos do outro; enquanto os sonhadores, mais cedo ou mais tarde, começam a questionar a decisão e acabam por viver com a sensação de que algo faltou, que se calhar se enganou e que não devia ter desistido tão cedo de procurar a relação ideal.
É por isso que, quando vemos alguém a falar sobre o seu companheiro de anos com uns olhos brilhantes de orgulho, é quase certo que eles começaram a namorar cedo, quando as ilusões ainda existiam e quando os sonhos pareciam poder tornar-se realidade.
Ó Tsetse, eu acho que não é assim tão cru ou hiper-realista. Na minha opinião, a vida às vezes é bem mais crua (ou até mesmo cruel) do que isto. E nós, os homens, temos tendência para esmagar sonhos. Há por aí mulheres que concordarão com esta minha opinião...
(aproveito para partilhar convosco que hoje oficializei a minha saída da empresa que decorrerá em meados de Abril. Mais lá para a frente, assim que terminarem os festejos desta vida quase perfeita, irei escrever sobre isso).
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