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Enquanto conduzia pela cidade, veio-me à memória o tempo de liceu. Não sei porquê, mas a verdade é que me recordei desses tempos em que o tempo parecia tão mais lento do que agora.
Lembrei-me de como eram passados os dias, entre aulas, intervalos e furos, as futeboladas com os amigos, enquanto as raparigas assistiam na bancada, os piqueniques com o "núcleo duro", as idas à piscina ou os banhos no rio.
Nesse tempo - é verdade, já lá vão uns bons anos! - em que não havia telemóveis, ainda se ligava do telefone lá de casa. Não existiam sms, e o mais parecido eram os bilhetinhos trocados durante as aulas, entre mim, o G., a C. e a E.. Bilhetes que iam e voltavam, em jeito de sms, com a cumplicidade de quem sabia o que queria, naquele tempo, tão inocentemente convictos de que dominavamos o mundo.
Os trabalhos de grupo eram pretextos para tardes bem passadas, ora em minha casa, ora na casa da E. ou da C. - raramente em casa do G. - e nós, eu e o G., que sabiamos o que queriamos, e elas que sabiam quanto queriamos. Fomos inocentemente felizes, pudemos aproveitar o tempo, aquele que nos dizia que o mundo era nosso, que era comandado por nós, os dois, feitos cavaleiros e por elas, as duas, as nossas princesas. Durou um ano, sem compromissos, sem relações, mas com a certeza de que eram nossas e nós, delas.
Hoje lembrei-me delas. A C., via há uns tempos, a passear o bebé num centro comercial. Conversamos alguns minutos, tentando saber o que a vida nos tinha trazido entretanto. Senti ainda alguma cumplicidade, mas não aquela de outrora. A E., muito raramente a vejo, nunca mais falamos, sei que casou e, julgo, também já é mãe.
Eu e o G., mantemo-nos unidos, desde sempre, para sempre, a uma amizade que sempre fez de nós mais do que amigos, irmãos. Ambos ainda com muitos sonhos por cumprir. Ainda e sempre inconformados. Já não dominamos o mundo, o mundo já não é nosso, mas à nossa maneira, ainda acreditamos ser possível. É tudo uma questão de força, de personalidade, de acreditar. Ele, mais do que eu. Lá chegarei!
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